Zhentarim
A organização Zhentarim, também conhecida como a Rede Negra (Black Network) define-se por uma estrutura complexa que mescla interesses mercantis e atividades criminosas sob uma filosofia de lucro absoluto. Eles Zhentarim operam como uma “família estendida”, oferecendo segurança e recursos compartilhados a seus membros. No entanto, funcionam como uma meritocracia rigorosa, na qual a ambição e o sucesso individual são os únicos caminhos para a ascensão, enquanto a traição é punida com severidade extrema.
Seu fundamento principal é a crença de que “dinheiro deixado na mesa não beneficia ninguém”. Eles buscam utilizar as leis de cada região ao máximo para gerar riqueza, agindo frequentemente em áreas onde a ética é questionável ou onde o potencial de lucro é elevado. A organização almeja o monopólio total do comércio e da proteção de mercadores em toda Faerûn. A ideia é tornar todos os comerciantes dependentes da proteção Zhentarim, o que lhes conferiria controle indireto sobre a economia global.
Originalmente fundada pelo mago Manshoon, a rede possui laços históricos profundos com as divindades Bane e Cyric, cujos ideais de tirania e ambição ainda influenciam muitos de seus agentes, embora atualmente não exista uma religião oficial única dentro da organização. No entanto, seus membros têm orgulho de suas armas e insígnias, sendo a serpente alada o ícone mais reconhecível de sua presença e autoridade.
História e Fundação
A história dos Zhentarim é uma narrativa de ambição implacável e transformação radical. A organização foi originalmente fundada no Forte Zhentil (Zhentil Keep), no Mar da Lua (Moonsea), há séculos, pelo arquimago Manshoon e pelo sumo sacerdote de Bane, Fzoul Chembryl. Naquela época, o objetivo era puramente a dominação absoluta e a imposição da vontade de Bane, o deus da tirania, sobre o mundo, operando como uma cabala de magos malignos, assassinos e sacerdotes sombrios.
Durante séculos, a Rede Negra serviu como um braço de opressão, até que a queda do Forte Zhentil e a destruição da Cidadela do Corvo (Citadel of the Raven), durante o retorno de Netheril, deixaram a liderança original em frangalhos. A organização foi fragmentada e quase dissolvida sob a pressão dos Shadovar e de conflitos internos. No entanto, um reduto permaneceu inabalado: a fortaleza de Fortescuro (Darkhold), nas Montanhas do Pôr do Sol (Sunset Mountains). Sob o comando do cavaleiro sombrio conhecido como o Proceralma (Pereghost), os remanescentes se reuniram e juraram reconstruir a organização sobre bases militares e mercantis mais sólidas.
Recentemente, a história dos Zhentarim foi marcada pelas “Guerras de Manshoon (Manshoon Wars)”, um conflito entre clones do fundador original que despertaram simultaneamente e lutaram pelo controle do legado da Rede Negra. Esse evento resultou na atual divisão da facção em Águas Profundas (Waterdeep), onde uma vertente leal a um novo clone de Manshoon busca o poder tirânico, enquanto os Cavaleiros do Destino (Doom Raiders) tentam transformar a organização em um empreendimento mercantil legítimo, embora ainda implacável.
Objetivos, Estrutura e Organização
Os Zhentarim modernos operam sob a premissa do chamado “empreendimento implacável”, uma filosofia na qual a ganância e o orgulho não são considerados pecados, mas virtudes a serem incentivadas. A doutrina oficial da Rede Negra sustenta que o dinheiro deixado na mesa não beneficia ninguém e que as leis existentes devem ser exploradas ao máximo de seu potencial para a geração de lucro. Nesse contexto, a legalidade é vista não como um limite moral, mas como uma ferramenta a ser manipulada conforme os interesses da organização.
O objetivo final da Rede Negra é estabelecer o monopólio absoluto das rotas comerciais e dos serviços de proteção a mercadores em toda Faerûn. A facção almeja um cenário em que todos os comerciantes dependam diretamente dos guardas, comboios e contratos Zhentarim, o que lhes garantiria um controle indireto, porém efetivo, sobre o comércio em escala continental. Para alcançar essa meta ambiciosa, a organização diversificou deliberadamente suas frentes de atuação.
Entre essas frentes, destaca-se a oferta de serviços mercenários, por meio da qual os Zhentarim fornecem algumas das forças de combate mais bem treinadas que o ouro pode comprar, atendendo nobres, cidades e interesses privados. Paralelamente, a facção investe pesadamente em logística e comércio, operando caravanas próprias e controlando entrepostos estratégico que funcionam como nós essenciais de transporte e influência econômica. Além disso, a Rede Negra mantém uma ampla rede de atividades ilícitas, envolvendo contrabando, extorsão, assassinatos sob encomenda e a comercialização de venenos ou magias perigosas em mercados negros, consolidando sua presença tanto no submundo quanto nas estruturas formais de poder.
Liderança Central
A estrutura central dos Zhentarim está sediada na fortaleza de Fortescuro, sob o comando do enigmático Proceralma. Em locais como Águas Profundas (Waterdeep), a facção encontra-se dividida entre os seguidores de um clone de Manshoon e os Cavaleiros do Destino, que defendem uma abordagem mais mercantil e menos tirânica.
Modus Operandi
O modo de agir dos Zhentarim baseia-se no chamado “empreendimento implacável”, no qual o lucro justifica qualquer meio, seja legal ou ilícito. Os Zhentarim fornecem algumas das mais eficientes forças mercenárias de Faerûn, mas também se envolvem em atividades como contrabando, chantagem e infiltração política, com o objetivo de manipular leis locais a seu favor. Para manter uma comunicação rápida e discreta entre suas células, utilizam cobras voadoras treinadas para transportar mensagens.
Apoio e Recursos
Os principais apoios e recursos oferecidos pela Rede Negra abrangem logística, subsistência, vantagens comerciais, suporte operacional e benefícios mágicos avançados.
Logística e Subsistência. Os membros iniciantes ganham o direito de se hospedar em esconderijos e estalagens controladas pelos Zhentarim. Além disso, a organização assegura que seus integrantes sempre encontrem trabalho mercenário disponível ao visitarem povoados sob sua influência. Para o início de missões, os agentes também podem requisitar armas ou armaduras, devendo devolver o equipamento ao final da tarefa ou pagar o dobro do valor emprestado.
Benefícios Comerciais e Financeiros. A Rede Negra oferece acesso confiável a mercados ilegais e serviços de receptação, permitindo que membros com maior renome na organização vendam bens roubados de forma segura em diversos povoados. A facção também concede descontos na compra de armas, armaduras e equipamentos de aventura em mercados controlados pelos Zhentarim. Em centros urbanos importantes, como Águas Profundas, líderes financeiros podem conceder empréstimos elevados, com juros por dezendia, fortalecendo a autonomia operacional de seus agentes.
Suporte Operacional e de Combate. Líderes regionais facilitam a contratação de mercenários, capangas e veteranos a preços acessíveis para auxiliar em missões específicas. Em casos mais delicados, membros podem recorrer a serviços de assassinato especializados, contratando figuras notórias da organização, geralmente em troca de favores futuros. Agentes de alto escalão podem inclusive solicitar a ajuda de aliados extremamente poderosos, incluindo observadores (beholders), para missões de importância estratégica.
Comunicação e Status. Os Zhentarim utilizam cobras voadoras treinadas como mensageiros rápidos, capazes de transportar pergaminhos e manter a comunicação eficiente entre células distantes. Membros veteranos recebem autorização para ostentar insígnias Zhentarim, mágicas ou decorativas, aplicadas a seus equipamentos como símbolos de prestígio, sucesso e autoridade dentro da organização.
Membros Notáveis dos Zhentarim
A lista de membros da Rede Negra notáveis abrange tanto indivíduos de grande influência histórica quanto figuras ativas nas narrativas contemporâneas de Faerûn.
Membros Históricos e Lendários
Manshoon (Original). O arcanista fundador que transformou o Forte Zhentil em um verdadeiro império de terror. Sua paranoia extrema levou à criação de múltiplos clones, cujas existências passaram a assombrar a Rede Negra por gerações, e ainda assombram.
Fzoul Chembryl. O sumo sacerdote de Bane que integrou a fé do Senhor das Trevas aos Zhentarim, garantindo que a organização fosse sustentada por um fervor religioso capaz de justificar e impulsionar suas campanhas de conquista.
Membros Atuais e Recentes na Cronologia
Proceralma. O líder enigmático que reside em Fortescuro. Trata-se de um cavaleiro que jamais remove o elmo e que foi responsável por reformar os Zhentarim, transformando-os de uma cabala abertamente maligna em uma força mercenária de elite, respeitada em toda Faerûn.
Davil Fortecanção (Davil Starsong). Um bardo elfo solar e ex-aventureiro, líder dos Cavaleiros do Destino em Águas Profundas. Ele representa a face moderna dos Zhentarim, buscando legitimidade e lucro por meio de negociações sofisticadas e alianças estratégicas no Portal Bocejante (Yawning Portal).
Urstul Floxin. Um mestre assassino leal ao clone de Manshoon. Ele simboliza a facção dissidente e violenta da Rede Negra, que ainda persegue o controle absoluto da cidade por meio de atentados, intimidação e guerra de gangues contra a Guilda de Xanathar (Xanathar Guild).
Halia Espinheiro (Halia Thornton). Atuando como mestre da guilda de mineiros em Fandalin (Phandalin), ela representa um exemplo clássico do período de transição da facção, tentando secretamente levar povoados inteiros ao controle da Rede Negra por meio de manipulação econômica e influência política.
O Papel dos Zhentarim em Grandes Eventos Históricos
A Tirania dos Dragões. Durante a crise envolvendo Tiamat, os Zhentarim desempenharam um papel ambíguo, porém vital. Embora inicialmente vistos com desconfiança, eles se uniram ao Conselho de Águas Profundas (Council of Waterdeep) para fornecer inteligência estratégica e assassinos especializados contra os oradores do dragão (wyrmspeakers) do Culto do Dragão. A motivação por trás dessa aliança era pragmática: temiam que a ascensão de uma deusa dracônica tornasse sua vasta rede de espionagem e influência completamente irrelevante.
A Desordem dos Gigantes. Quando o Ordenamento (Ordning) foi quebrado, os Zhentarim buscaram tirar proveito do caos instaurado. Enviaram agentes para avaliar e potencialmente assumir o controle de centros vitais de produção de alimentos, como Camposdourados (Goldenfields), além de tentarem capturar criminosos notórios a fim de acumular prestígio político e influência junto às autoridades locais.
Águas Profundas e a Pedra de Golorr (Stone of Golorr). Nesta cidade, a facção estava dividida entre os Cavaleiros do Destino, que buscavam legitimidade comercial, e os seguidores do clone de Manshoon. O plano de Manshoon consistia em capturar a Pedra de Golorr para localizar o tesouro oculto de Dagult Brasanunca (Dagult Neverember) e utilizar esse ouro para subornar os Lordes Secretos (Masked Lords), tornando-se o novo Lorde Declarado (Open Lord). Um de seus tenentes chegou a roubar a Pedra após a explosão no Beco Cranio de Troll (Trollskull Alley), levando-a para a Mansão Gralhund.
Eventos em Chult. Em Chult, os Zhentarim se aproveitam do contexto de exploração colonial para estabelecer campos de mineração e extração de madeira. O papel principal da facção na região envolveu o enviando equipes de busca para capturar Artus Cimber e tomar posse do Anel do Inverno (Ring of Winter), apoiar um príncipe mercante que controlava a venda de feras e usar espiões para monitorar o porto da capital de Chult para garantir que a Rede Negra tivesse acesso contínuo a novos tesouros e rotas comerciais.
Influência Atual em Faerûn
Atualmente, a Rede Negra é uma potência consolidada em Fortescuro, onde governa com mão de ferro, porém de maneira pragmática, garantindo que o comércio continue fluindo enquanto Proceralma observa atentamente o horizonte. A facção mantém uma presença inegável em cidades-chave, como Portão de Baldur, onde suas milícias protegem comboios provenientes de Chult. Sua influência é tamanha que até mesmo grupos heróicos e corporativos, como a Corporação de Aquisições (Acquisitions Incorporated), veem os Zhentarim como competidores formidáveis no campo dos negócios interplanares.
Relações com Outras Facções
A Rede Negra mantêm relações complexas e predominantemente hostis com as outras grandes facções de Faerûn, baseadas na competição econômica e em profundas diferenças ideológicas. Embora operem como uma meritocracia que valoriza a ambição e o lucro, sua reputação de crueldade e manipulação os coloca em conflito direto com organizações que defendem a justiça ou a ordem natural.
Harpistas (Harpers). Esta é a rivalidade mais histórica e ferrenha dos Zhentarim. Enquanto os Harpistas buscam distribuir o poder e proteger os oprimidos, os Zhentarim procuram monopolizá-lo. No entanto, durante crises globais, como a ascensão de Tiamat, ambas as facções foram forçadas a uma aliança improvável, agindo sob o princípio de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” para evitar a destruição do mundo.
Aliança dos Lordes (Lords’ Alliance). A relação é marcada por hostilidade e desconfiança mútuas. A Aliança dos Lordes vê os Zhentarim como uma ameaça à estabilidade política das cidades-estado e monitora de perto suas atividades para impedir que manipulem ou reescrevam leis em benefício próprio.
Ordem da Manopla (Order of the Gauntlet) e Enclave Esmeralda (Emerald Enclave). Ambas são classificadas como rivais hostis. A Ordem da Manopla despreza a ausência de princípios morais dos Zhentarim, enquanto o Enclave Esmeralda os enxerga como exploradores que ameaçam o equilíbrio natural movidos pela ganância.
Magos Vermelhos de Thay (Red Wizards). Os Zhentarim são considerados aliados pragmáticos dos Magos Vermelhos, especialmente em transações comerciais envolvendo itens mágicos e escravos. Contudo, essa relação é tensa, pois a Rede Negra teme o poder excessivo de Thay e não hesita em sabotar seus planos caso perceba riscos à própria autonomia.
Culto do Dragão (Cult of the Dragon). Embora algumas classificações indiquem uma aliança geral entre essas facções malignas, a narrativa recente mostra os Zhentarim em oposição direta aos planos do Culto de libertar Tiamat. A Rede Negra não deseja servir a uma divindade dracônica, preferindo governar o mundo a partir das sombras por conta própria. Agentes Zhentarim chegaram a se infiltrar no Culto para roubar Máscaras de Dragão (Dragon Masks) e sabotar seus rituais.
Guilda de Xanathar. Em Águas Profundas, os Zhentarim travam uma guerra aberta contra a Guilda de Xanathar. O conflito escalou após uma tentativa fracassada de aliança promovida pelo clone de Manshoon, resultando em uma sangrenta guerra de gangues pelo controle do submundo da cidade.
Ladrões das Sombras (Shadow Thieves). Os Zhentarim competem diretamente com os Ladrões das Sombras de Amn pelo controle das rotas de contrabando e pela influência no mercado negro ao longo da Costa da Espada (Sword Coast).
Sociedade Kraken (Kraken Society). A Rede Negra observa com preocupação a influência dessa sociedade secreta em cidades como Yartar, pois as maquinações do kraken Slarkrethel frequentemente interferem nos lucros e na logística dos Zhentarim.
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