Ordem da Manopla
A Ordem da Manopla (Order of the Gauntlet) é notável por seu zelo, retidão e dedicação ao combate aberto contra as forças do mal e da opressão. Não se trata de uma organização antiga, tendo sido fundada em anos relativamente recentes; ainda assim, sua ascensão foi meteórica, impulsionada por sua postura firme em um mundo frequentemente ambíguo. A facção atrai principalmente paladinos, clérigos e monges, e busca ativamente expandir as fronteiras da justiça por meio da força armada e de uma fé inabalável.
A Ordem define-se como uma força militar e religiosa, devotada à vigilância e à justiça. Seu objetivo principal é proteger os inocentes e exterminar o mal em todas as suas formas, opondo-se à tirania e à depravação.
Os membros da Ordem são motivados por um fervor religioso e pela devoção incondicional ao princípio da justiça para todos. Ao contrário de grupos como os Harpistas, que valorizam o sigilo e a astúcia, a Ordem da Manopla preza pela ação aberta. Eles acreditam que o mal deve ser combatido de forma manifesta e vencido à luz do dia, para que todos possam testemunhar a destruição da iniquidade e ser encorajados por essa vitória. Seu emblema — uma manopla (luva blindada) apertando uma espada pela lâmina — é ostentado abertamente, servindo como uma clara declaração de intenções.
Um dos princípios éticos mais definidores da Ordem é a ênfase na retribuição em vez da prevenção. Os cavaleiros da Ordem insistem que, embora devam punir o mal, não devem se antecipar a ele. Em essência, acreditam na liberdade individual e no princípio de que toda pessoa pode agir de forma moral e honrada, desde que lhe seja dada a oportunidade.
Essa filosofia torna a Ordem, por vezes, mais reativa do que proativa. Seu lema interno, presente no Código de Balanças e Pesos, afirma que os cavaleiros devem se esforçar para “punir ações malignas, mas não pensamentos malignos”. A Ordem da Manopla argumenta que tentar prever e impedir a vilania, mesmo com boas intenções, é o primeiro passo rumo à tirania — uma prática que eles se recusam a adotar.
A fé é considerada a maior arma da Ordem contra o mal — fé em si mesmos, em seus companheiros e em seus deuses. Os membros são, em geral, devotados a divindades associadas ao bem e à justiça. Os fundadores da Ordem, por exemplo, eram seguidores de Helm (Vigilância), Hoar (Vingança e Retribuição), Torm (Coragem e Sacrifício Pessoal) e Tyr (Justiça).
A Ordem da Manopla, embora fortemente religiosa, não recebe ordens de nenhum governo ou templo específico, mas valoriza imensamente a orientação de figuras sagradas. A presença do monge lendário Hlam, um Grande Mestre da Ordem dos Justos, por exemplo, é considerada um forte sinal de aliança e legitimidade.
História e Fundação
A Ordem da Manopla é uma organização relativamente jovem, ansiosa por ação. Sua história é marcada por um crescimento rápido, enraizado em ordens de cavalaria mais antigas, especialmente na região da Costa da Espada (Sword Coast).
A Ordem surgiu da devoção e do zelo de combatentes, particularmente daqueles que veneravam divindades do bem. Uma de suas conexões mais notáveis é com os Cavaleiros de Samular (Knights of Samular). Trata-se de uma ordem muito mais antiga, dedicada a Tyr, que persegue a justiça pelo Norte há mais de quinhentos anos. Os Cavaleiros de Samular estabeleceram o Salão da Cimeira (Summit Hall), nas Colinas Sumber (Sumber Hills), como um monastério de treinamento. A Ordem da Manopla, em seu esforço de expansão, buscou unir os Cavaleiros de Samular à sua causa.
O crescimento da Ordem ocorreu principalmente nas Terras Centrais do Ocidente (Western Heartlands), onde estabeleceu a maioria de seus capítulos (bases fortificadas). O objetivo era expandir sua influência em regiões com pouca presença de autoridade religiosa ou militar.
O reconhecimento da Ordem da Manopla como uma facção de peso ocorreu durante a crise da Tirania dos Dragões, quando a ameaça do Culto do Dragão e de Tiamat exigiu uma união de forças em Faerûn. A Ordem se posicionou como uma força indispensável de combate e de sustentação moral, fornecendo paladinos e clérigos para o esforço de guerra.
Seu novo quartel-general foi estabelecido em Elturel, onde o Castelo Invetrius (Castle Invetrius) foi construído como sua principal fortaleza. Essa localização é significativa, dada a reputação de Elturgard como uma nação de paladinos e cavaleiros que valorizam a lei e a ordem.
Estrutura e Organização
A Ordem da Manopla é rigidamente estruturada, refletindo o ideal de ordem que seus membros buscam impor ao mundo. A disciplina é um valor fundamental, o que a torna mais hierárquica do que facções como os Harpistas.
O legado da Ordem reside em sua capacidade de inspirar confiança nos outros. Em um cenário marcado por traições e segredos, a Ordem da Manopla representa uma força honesta, vigilante e disposta a sacrificar tudo em nome da justiça, mantendo uma linha clara e inabalável entre o bem e o mal.
Liderança Central
O corpo governante da Ordem é a Mão Justa (Righteous Hand), um tribunal composto pelo justiciário sublime e por quatro veteranos conhecidos como altos campeões. O justiciário sublime é, por vezes, chamado de “o polegar da Manopla”.
O líder atual do comando central é Ardria Justaglaive (Ardria Rightglaive), uma paladina experiente que supervisiona a construção do Castle Invetrius, em Elturel.
Modus Operandi
A Ordem da Manopla é conhecida por não ser sutil, considerando a trapaça e o subterfúgio formas de covardia.
Vigilância e Inteligência. A Ordem utiliza reconhecimento armado, monitoramento mágico e consulta divina — por exemplo, por meio da magia Comunhão (Commune) — para obter orientação de Torm ou Tyr.
Ação Militar. Mantêm bases bem abastecidas (capítulos) e treinam diariamente para garantir que suas tropas estejam sempre em plenas condições de combate. Seus membros frequentemente atuam como veteranos e comandantes de outras unidades em tempos de guerra, assegurando que as campanhas militares sejam bem-sucedidas.
Execução da Lei. A Ordem da Manopla julga e pune malfeitores de forma sumária e rápida, fundamentando-se no Código de Balanças e Pesos. Eles preferem a ação direta à prisão, a menos que a situação exija um julgamento formal na Corte de Justiça.
Apoio e Recursos
A Ordem da Manopla oferece a seus membros apoio moral e material significativo. Os diversos status de cavaleiro da Ordem podem garantir desde acesso a um abrigo seguro até o benefício de ter um aliado ressuscitado em um templo em que os sacerdotes sejam aliados da Ordem.
Além disso, os membros recebem títulos honorários e, em níveis mais elevados, podendo obter itens mágicos focados em defesa e combate — como armaduras e anéis —, bem como acesso a magias de cura de círculo superior.
Membros Notáveis da Ordem da Manopla
A Ordem da Manopla atrai guerreiros, clérigos e paladinos de renome, muitos dos quais personificam os ideais de justiça, fé e devoção.
Líderes e Figuras Fundamentais
Embora a Ordem seja relativamente nova, muitos de seus integrantes provêm de longas linhagens de serviço, de ordens antigas ou atuaram em papéis cruciais como mentores e líderes experientes.
Ser Isteval. Um paladino veterano e antigo Cavaleiro Dragão Púrpura (Purple Dragon Knight) de Cormyr. Embora atue como representante da pequena Vau da Adaga (Daggerford) no Conselho de Lordes (Council of Lords), ele foi recrutado por Cormyr para fornecer informações estratégicas. Isteval foi um forte defensor da causa heroica e dos aventureiros no Conselho de Águas Profundas (Council of Waterdeep). Ele representa o ideal de honra e tradição, sendo também um aliado próximo de Ontharr Frume.
Ser Baric Nylef. Um cavaleiro de Tyr e membro da Ordem, Ser Baric exemplifica a dedicação implacável à caça ao mal. Ele foi enviado a Bryn Shander, em Vale do Vento Gélido (Icewind Dale), para perseguir o notório criminoso Worvil “o Caruncho” Barba-forcada (Worvil “the Weevil” Forkbeard), que se escondia na região. Sua missão demonstra a postura ativa da Ordem em rastrear e punir criminosos onde quer que estejam.
Daran Edermath. Um meio-elfo de barba prateada, ex-aventureiro e ex-soldado na Costa do Dragão (Dragon Coast). Embora tenha se aposentado em sua fazenda em Fandalin (Phandalin), Daran permanece como membro da Ordem da Manopla, mantendo-se vigilante contra o mal e recrutando novos integrantes que demonstrem as virtudes da vigilância e do zelo. Ele teve papel crucial ao alertar aventureiros sobre a ameaça dos Escória Vermelha (Redbrands) e os perigos no Poço da Velha Coruja (Old Owl Well).
Agentes de Campo
Os agentes contemporâneos atuam na linha de frente das crises de Faerûn, representando a Ordem tanto em conflitos diretos quanto nos altos escalões da política.
Ontharr Frume. Um paladino humano e o principal delegado da Ordem no Conselho de Águas Profundas. Frume é conhecido por seu comportamento expansivo e barulhento, seu temperamento forte e sua dedicação inabalável à justiça. Ele foi fundamental na organização da resistência inicial contra o Culto do Dragão, atuando ao lado de Leosin Erlanthar, dos Harpistas (Harpers). Frume representa o ideal de que os fortes devem proteger os fracos; contudo, sua aversão a ações moralmente questionáveis pode levá-lo a negar ou retirar apoio em determinadas situações.
Undril Presaprata (Undril Silvertusk). Uma clériga meio-orc de Torm, recém-chegada a Porto Nyanzaru (Port Nyanzaru). Ela foi enviada para entregar despachos e reforços ao Acampamento Vingança (Camp Vengeance), em Chult, a principal base de operações da Ordem na região, demonstrando o compromisso da facção em combater a ameaça dos mortos-vivos naquela região tropical.
Savra Belabranta. Uma cavaleira humana que representa a Ordem em Águas Profundas. Ela é um exemplo claro de redenção, tendo procurado a Ordem para expiar seus erros passados como integrante do culto elemental do Ódio Uivante (Howling Hatred). Savra sempre exige que os recrutas da Ordem façam um juramento solene de encontrar e destruir o mal onde quer que ele se manifeste.
O Papel da Ordem da Manopla em Conflitos Recentes
A Ordem da Manopla estabeleceu-se rapidamente como uma força de combate essencial em resposta às grandes ameaças que surgiram em Faerûn.
A Crise do Culto do Dragão (Tirania dos Dragões). O papel da Ordem nessa crise foi crucial para unir as facções do bem e organizar uma força de combate unificada contra Tiamat.
- Mobilização de Clérigos e Paladinos: A Ordem forneceu paladinos e clérigos especializados em cura para apoiar a luta contra as forças de Tiamat no Poço dos Dragões (Well of Dragons). Entre as facções aliadas, a Ordem foi a grande capaz de mobilizar o maior número de combatentes movidos pela fé.
- Apoio no Conselho de Água Profundas: Ontharr Frume atuou como um dos delegados mais atuantes, pressionando por ações imediatas e garantindo que o apoio da Ordem não fosse comprometido por interesses egoístas. Ele insistiu que a Ordem não toleraria atos de natureza moralmente duvidosa por parte de aventureiros.
- Vigilância Contra os Zhentarim: A Ordem foi fundamental para manter uma vigilância constante, ainda que tensa, sobre os Zhentarim durante a crise, assegurando que os interesses da Rede Negra (Black Network) não interferissem no objetivo maior de derrotar Tiamat.
A Ascensão do Mal Elemental (Príncipes do Apocalipse). A Ordem da Manopla envolveu-se diretamente no combate aos cultos do Mal Elemental (Elemental Evil) nas Colinas Sumber (Sumber Hills).
- A Batalha dos Camposdourados: A fazenda-templo de Camposdourados (Goldenfields), dedicada à deusa da agricultura Chauntea, era um importante baluarte da região. A Ordem, por meio de membros como o abade Ellardin Darovik, mantinha Camposdourados bem defendida, fornecendo guardas para patrulhar seus muros contra possíveis ataques de cultos elementais ou gigantes. A proteção dessa fazenda era vital, pois ela alimentava grande parte do Norte.
- Vigilância e Justiça: A Ordem buscou expandir sua influência no oeste das Colinas Sumber, com o objetivo de forjar alianças com líderes locais e restaurar a ordem em uma região profundamente afetada pelo caos elemental. Além disso, seus membros estavam envolvidos na busca pela delegação desaparecida de Mirabar, que viajava para sepultar o corpo de um cavaleiro da Ordem assassinado no Norte.
Crises em Cidades (Portão de Baldur e Nevenunca). Em centros urbanos, a Ordem atua como uma força vigilante, mas enfrenta desafios significativos relacionados à corrupção e à atuação de cultos.
- Forte de Helm: A Ordem do Olho Dourado (Order of the Gilded Eye), uma facção dissidente e mais extremista da Ordem da Manopla, assumiu o controle do monastério de Forte de Helm) Helm’s Hold, nas proximidades de Nevenunca (Neverwinter), com a intenção de erradicar ativamente influências demoníacas na região. Embora a Ordem da Manopla não endosse perseguições excessivas, ela se aliou a ordens como os Cavaleiros de Samular, que mantinham forte presença na região.
- Portão de Baldur (Baldur’s Gate): A Ordem da Manopla patrocina vigilantes de forma secreta na cidade. Esses vigilantes deixam o símbolo de Helm em criminosos mortos ou gravam o símbolo em criminosos vivos, como marca de sua busca implacável por justiça.
Influência Atual em Faerûn
A Ordem da Manopla mantém uma presença vital em Faerûn, sendo uma das facções mais militarmente disciplinadas e eticamente alinhadas do continente.
Relações com Outras Facções
As relações da Ordem com outras facções são, em geral, de aliança ou hostilidade, baseadas em objetivos morais compartilhados.
Harpistas. São aliados da Ordem, compartilhando a dedicação à justiça e ao combate ao mal, mas diferem em seus métodos: a Ordem atua de forma aberta, enquanto os Harpistas operam de maneira secreta. Ainda assim, unem-se contra ameaças maiores, como os Zhentarim.
Enclave Esmeralda. São aliados, pois cooperam na luta contra ameaças antinaturais, como mortos-vivos e demônios. Além disso, o Enclave ajudou a proteger a fazenda-templo de Camposdourados, o que os coloca em boa posição com a Ordem.
Aliança dos Lordes. São considerados mais que aliados, sendo também amigos da Ordem. A Ordem da Manopla fornece tropas e liderança militar altamente disciplinadas para a Aliança de forma constante. Em contrapartida, a Aliança oferece indultos legais e apoio político à Ordem.
Cavaleiros do Dragão Púrpura. São aliados da Ordem, posi ambos compartilham o ideal de serviço e a missão de proteger os reinos alinhados ao bem.
Culto do Dragão. São inimigos jurados. O Culto representa o mal dracônico e a profanação da vida, objetivos que a Ordem da Manopla busca exterminar ativamente.
Zhentarim. São inimigos da Ordem, que se opõe à ganância e aos métodos criminosos da Rede Negra e compete diretamente com ela, embora, em raras ocasiões — como diante da ameaça de Tiamat —, possa ser forçada a cooperar.
Magos Vermelhos de Thay. São inimigos da Ordem, pois os Magos Vermelhos representam a necromancia e o abuso do poder mágico, sendo considerados alvos prioritários.
Fontes:
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